domingo, 28 de setembro de 2008


Da esquerda para a direita: Candido Portinari, Antônio Bento, Mário de Andrade e Rodrigo Melo Franco.Palace Hotel, Rio de Janeiro, 1936

sábado, 27 de setembro de 2008

Relação das principais obras de Portinari:
Meio ambiente
Colhedores de café
Mestiço
Favelas
O Lavrador de Café
O sapateiro de Brodósqui
Meninos e piões
Lavadeiras
Grupos de meninas brincando
Menino com carneiro
Cena rural
A primeira missa no Brasil
São Francisco de Assis
Os Retirantes

Portinaria além de pintor foi poeta...

OS INVENTARIANTES
I
Os inventariantes pedirão conta dos cíliosApedrejados. Das madeiras inertes e dos cabelosPerdidos e dos egoísmos. Das penas das avesDas chuvas inúteis. Dos furacões e dos ventos
II
Dos espaços perdidos. Das lágrimas secasDos carvões em brasa e das fogueiras de São João.Das violetas sob a terra nos cemitériosDas cores das môças morenas.
III
Das gotas d'água afundadas nas pedras. Dos laranjaisSem laranja e das malvadezas. Das águas constantes eDa lepra. Quem responderá? Os inventariantes quererão saberDos feios e dos pequenos funcionários que estão sempre
IV
Nas filas, filas de caixões de defunto. Filas das prestaçõesNas filas dos hospitais, filas dos sofrimentos de arrancarDentes, de arrancar o ôlho e transfusões de sangue com águaNas filas de leite com água e nas filas de pedir água.
V
Nas filas intermináveis da morte que não chega...Pedirão conta do lôdo. Das espadas brancas. Dos cães amedrontadosDos pés estragados, dos dedos perdidos. Da nave morta eRepelida, cheia de gente viva. Dos fornos queimando vivos.
VI
Queimando crianças com flores e velhos com sonhosMulheres antigas e jovens... Pedirão conta das éguasSolteironas. Dos frutos podres que os meninos não comeramDos que engendram a maldição. Dos cheiros misturados.
VII
Dos fogos perdidos. Das meninas feias morando distanteE chegando sempre na luz da aurora. Pedirão conta dosMoirões queimados e das angústias. Dos ninhos de joões-de-barroDas areias estéreis. Da malária. Da ameba. Das sezões. Dos
VIII
Sarampos. Das tosses compridas. Das seriemas e gabirobeirasDos meninos caolhos e barrigudos. Dos estropiados. DosEspinhos. Das borboletas ref;etidas n'água estagnada.Das gôtas de sangue desconhecidas. Dos urubus tristes e
IX
Malqueridos. Das môças sem dentes e sempre grávidas.Das manchas amarelas nas pedras. Ouvirão os horizonte fugidios?Pedirão conta dos gritos sem eco. Das fomes mortas.Das estradas azuis. Das nascentes nas montanhas.
X
Dos ruídos à-toa. Das almas mortas sem destino.Dos enfartes no silêncio dos campos. Pedirão contaDos silêncios intermináveis. Dos pobres assassinados e dosAssassinados a machado. Dos desastres e trilhos enferrujados.
XI
Das porteiras cantadeiras e solitárias. Das portas abandonadasDas tristezas vagando. Dos escorpiões e viúvas-negras sóConhecidas dos pequeninos... Pedirão conta daErva nascida do sôpro da inocência...
Entre Nancy e Paris - 01/11/1961

obras...


Retirantes, Série Retirantes



Retrato de Euclides da Cunha

periodo de vida

A inclinação muralista de Portinari revela-se com vigor nos painéis executados no Monumento Rodoviário situado no Eixo Rio de Janeiro – São Paulo (na hoje “Via Dutra”), em 1936, e nos afrescos do novo edifício do Ministério da Educação e Saúde, realizados entre 1936 e 1944. Estes trabalhos, como conjunto e como concepção artística, representam um marco na evolução da arte de Portinari, afirmando a opção pela temática social, que será o fio condutor de toda a sua obra a partir de então. Companheiro de poetas, escritores, jornalistas, diplomatas, Portinari participa da elite intelectual brasileira numa época em que se verificava uma notável mudança da atitude estética e na cultura do país: tempos de Arte Moderna e apoio do mecenas Getúlio Vargas que, dentre outras qualidades soube cercar-se da nata da intelectualidade brasileira de seu tempo.No final da década de trinta consolida-se a projeção de Portinari nos Estados Unidos. Em 1939 executa três grandes painéis para o pavilhão do Brasil na Feira Mundial de Nova York. Neste mesmo ano o Museu de Arte Moderna de Nova York adquire sua tela O MORRO. Em 1940, participa de uma mostra de arte latino-americana no Riverside Museum de Nova York e expõe individualmente no Instituto de Artes de Detroit e no Museu de Arte Moderna de Nova York, com grande sucesso de público, de crítica e mesmo de venda (menor das preocupações do Artista...)Em dezembro deste ano a Universidade e Chicago publica o primeiro livro sobre o pintor, PORTINARI, HIS LIFE AND ART, com introdução do artista Rockwell Kent e inúmeras reproduções de suas obras. Em 1941, Portinari executa quatro grandes murais na Fundação Hispânica da Biblioteca do Congresso em Washington, com temas referentes à história latino-americana. De volta ao Brasil, realiza em 1943 oito painéis conhecidos como SÉRIE BÍBLICA, fortemente influenciado pela visão picassiana de Guernica e sob o impacto da 2ª Guerra Mundial. Em 1944, a convite do arquiteto Oscaar Niemeyer, inicia as obras de decoração do conjunto arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais, destacando-se o mural SÃO FRANCISCO e a VIA SACRA, na Igreja da Pampulha. A escalada do nazi-fascismo e os horrores da guerra reforçam o caráter social e trágico de sua obra, levando-o à produção das séries RETIRANTES e MENINOS DE BRODOSWKI, entre 1944 e 1946, e à militância política, filiando-se ao Partido Comunista Brasileiro e candidatando-se a deputado, em 1945, e a senador, 1947. Ainda em 1946, Portinari volta a Paris para realizar sua primeira exposição em solo europeu , na Galerie Charpentier. A exposição teve grande repercussão, tendo sido Portinari agraciado, pelo governo francês, com a Légion d!Honneur. Em 1947 expõe no salão Peuser, de Buenos Aires e nos salões da Comissão nacional de Belas Artes, de Montevidéu, recebendo grandes homenagens por parte de artistas, intelectuais e autoridades dos dois países.
O final da década de quarenta assinala o início da exploração dos temas históricos através da afirmação do muralismo. Em 1948, Portinari exila-se no Uruguai, por motivos políticos, onde pinta o painel A PRIMEIRA MISSA NO BRASIL, encomendado pelo banco Boavista do Brasil. Em 1949 executa o grande painel TIRADENTES, narrando episódios do julgamento e execução do herói brasileiro que lutou contra o domínio colonial português. Por este trabalho Portinari recebeu, em 1950, a medalha de ouro concedida pelo Juri do Prêmio Internacional da Paz, reunido em Varsóvia.
Em 1952, atendendo a encomenda do Banco da Bahia, realiza outro painel com temática histórica, A CHEGADA DA FAMÍLIA REAL PORTUGUESA À BAHIA e inicia os estudos para os painéis GUERRA E PAZ, oferecidos pelo governo brasileiro à nova sede da Organização das Nações Unidas. Concluídos em 1956, os painéis, medindo cerca de 14x10 m cada - os maiores pintados por Portinari - encontram-se no "hall" de entrada dos delgados de edifício-sede da ONU, em Nova York. Em 1955, recebe a medalha de ouro concedida pelo Internacional Fine-Arts Council de Nova York como o melhor pintor do ano. Em 1956, Portinari viaja a Israel, a convite do governo daquele país, expondo em vários museus e executando desenhos inspirados no contado com recém-criado Estado Israelense e expostos posteriormente em Bolonha, Lima, Buenos Aires e Rio de Janeiro. Neste mesmo ano Portinari recebe o Prêmio Guggenheim do Brasil em 197, a Menção Honrosa no Concurso Internacional de Aquarela do Hallmark Art Award, de Nova York. No final da década de cinqüenta, Portinari realiza diversas exposições internacionais.
Expõe em Paris e Munique em 1957. É o único artista brasileiro a participar da exposição 50 ANOS DE ARTE MODERNA, no Palais des Beaux Arts, em Bruxelas, em 1958. Como convidado de honra, expõe 39 obras em sala especial na I Bienal de Artes Plásticas da Cidade do México, em 1958. No mesmo ano ainda, expõe em Buenos Aires. Em 1959 expõe na Galeria Wildenstein de Nova York e, juntamente com outros grandes artistas americanos como Tamayo, Cuevas, Matta, Orozco, Rivera, participa da exposição COLEÇÃO DE ARTE INTERAMERICANA, do Museo de Bellas Artes de Caracas. Candido Portinari morreu no dia 06 de fevereiro de 1962, quando preparava uma grande exposição de cerca de 200 obras a convite da Prefeitura de Milão, vítima de intoxicação pelas tintas que utilizava.

Mestiço - 1934 - Óleo sobre tela - 81x61 cm


uma das pinturas mais famosas...

origem de portinari

Candido Portinari nasceu no dia 29 de dezembro de 1903, numa fazenda de café em Brodoswki, no Estado de São Paulo. Filho de imigrantes italianos, de origem humilde, recebeu apenas a instrução primária de desde criança manifestou sua vocação artística. Aos quinze anos de idade foi para o Rio de Janeiro em busca de um aprendizado mais sistemático em pintura, matriculando-se na Escola Nacional de Belas Artes. Em 1928 conquista o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro da Exposição Geral de Belas-Artes, de tradição acadêmica. Vai para Paris, onde permanece durante todo o ano de 1930. Longe de sua pátria, saudoso de sua gente, Portinari decide, ao voltar para o Brasil em 1931, retratar nas suas telas o povo brasileiro, superando aos poucos sua formação acadêmica e fundindo a ciência antiga da pintura a uma personalidade experimentalista a antiacadêmica moderna. Em 1935 obtém seu primeiro reconhecimento no exterior, a Segunda menção honrosa na exposição internacional do Carnegie Institute de Pittsburgh, Estados Unidos, com uma tela de grandes proporções intitulada CAFÉ, retratando uma cena de colheita típica de sua região de origem.